ENTRE DUAS CORTES: A MÚSICA DE CÁMARA EM MADRID E LISBOA DURANTE O SÉCULO XVIII

Música para violín y violonchelo en Londres a finales del siglo XVIII

Parte única. Duração aproximada | 60 ' 70 '

Intérpretes: 2 violinos barrocos, violoncelo barroco e cravo

Edições e conselho musicológico: Raúl Angulo y Antoni Pons (Ars Hispana)

"Entre duas Cortes: a música de câmara em Madrid e Lisboa durante o século XVIII" apresenta-se como um atrativo programa com duas estreias em tempos modernos em Portugal, evidenciando a relação e o fluxo cultural e musical entre as Cortes de Madrid e Lisboa no século XVIII.


A Itália sempre foi uma grande exportadora de música e músicos, mas a partir do século XVIII esse fenómeno tornou-se mais evidente, com o repertório de origem italiana espalhando-se pela Europa. As principais cidades europeias acolheram diversos compositores e virtuosos de várias partes da Itália, que trouxeram o seu repertório e técnicas, tendo um profundo impacto nos músicos locais, e as Cortes de Madrid e Lisboa não foram exceções.


Em Madrid, destaca-se a figura do violinista C. Brunetti, cuja obra vai sendo gradualmente descoberta. Ainda adolescente, Brunetti chegou com a família a Madrid, trabalhando no teatro e atuando nas principais casas nobres da capital. A sua carreira esteve intimamente ligada ao Príncipe das Astúrias, o futuro Carlos IV, após a nomeação como o seu professor de violino em 1771. Brunetti foi um dos compositores favoritos da Corte, evidenciado pela extensa produção instrumental que sobreviveu até nós. Outro compositor famoso foi J. Castel, conhecido principalmente pelas suas zarzuelas e tonadillas, embora também tenha composto duetos, trios e sinfonias.


Lisboa também foi um grande centro de atração para os músicos italianos durante o século XVIII. O violinista P. G. Avondano (1692-ca.1754) chegou de Génova à Corte do rei D. João V de Portugal com apenas 19 anos, fundando toda uma linhagem de músicos em Lisboa. Outro importante compositor italiano que trabalhou para a Corte lisboeta foi o napolitano D. Pérez, famoso por suas óperas e música sacra, embora também tenha produzido um pequeno ‘corpus’ de música instrumental. Dos compositores nascidos em Portugal, selecionamos obras do violinista P. L. Nogueira e do cravista e organista C. Seixas, que coincidiram com D. Scarlatti em Lisboa a partir de 1721.


As Cortes de Madrid e Lisboa sempre mantiveram uma forte relação cultural. A circulação de música e músicos entre as duas Cortes foi constante durante o século XVIII. Scarlatti é um exemplo claro disso. Chamado a Lisboa por João V, foi professor de cravo de Maria Bárbara de Bragança. Após casar em 1729 com o futuro Fernando VI, Scarlatti acompanhou o seu discípulo à Espanha, passando o resto da vida em Madrid, onde teve grande influência nos músicos espanhóis.

Notas ao programa |  Raúl Angulo e Antoni Pons (Ars Hispana)

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Pietro Giorgio Avondano (1692-ca.1754) Trio em ré mayor
 
Allegro
Andante e piano sempre
Allegro

Cayetano Brunetti (1744-1798) Sonata para violino e baixo nº 4 Serie 2 em ré menor*

Allegro moderato
Andantino Grazioso (glosado)
Presto

Carlos Seixas (1704-1742) Tocata para cravo em sol menor
 
Allegro
Minuette

Davide Perez (1711-1778) Trio em sol menor
 
Andante
Minuete

Pedro Lopes Nogueira (s. XVIII) Folias para violino e baixo (do Livro de toda a casta de lisões)

atrib. Domenico Scarlatti (1685-1757)  Fandango para cravo

José Castel (¿1737?-1807)  Trio nº 6 em mi mayor*

Cantabile
Allegro
Menuetto. Allegro

   *Estreia em tempos modernos

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